Foward Secrecy (uma nota sobre o futuro da era da informação)

[Post publicado em 24/09/14]

“Como os nazistas sabiam o nome dos meus pais?” Edwin Black se pergunta no início de seu livro cujo título, “A IBM e o Holocausto”, entrega a resposta. Na decada de 30 não havia computadores, mas existiam as modernas máquinas Hollerith que a IBM vendeu aos milhares para que o regime nazista processasse informações sobre cada habitante do território alemão.

A inédita capacidade das máquinas Hollerith explica como tanta informação fora processada para chegar no local certo, mas não nos diz quem as forneceu. Esta segunda pergunta só cabe em perspectiva, pois no contexto da época a resposta era óbvia. As informações vieram do censo, fornecidas pelos próprios cidadãos. Afinal, distribuir identidades é a própria razão de ser do estado que, para tanto, precisa de informações. Caso contrário, como se distinguiriam os que devem receber bolsa família daqueles que devem receber bolsa do ciências sem fronteiras? É de interesse de ambos serem identificados e por esse motivo o fazem. E deve ter sido por motivo análogo que, ignorantes do futuro sombrio que os aguardava, os próprios judeus se identificaram poucos anos antes do holocausto.