Securegen

O lançamento oficial da primeira versão do iphone em 2007 marcou a popularização dos smartphones. Até então essa tecnologia se restringia ao uso por grandes executivos de multi-nacionais e suas demandas profissionais que não iam muito além do email. Novamente um produto da apple e seu marketing mexeram com o imaginário dos consumidores. Smartphones rapidamente se tornariam indispensáveis para os para o público alvo da empresa e não era preciso de muita imaginação para saber que logo eles chegariam ao grande público.

Nessa época a Google já era uma grande empresa e já tinha sacado que a coleta de dados pessoais era o grande filão de mercado. Seu receio, porém, era que um potencial monopólio dos smatphones atrapalhasse seu modelo de negócios. Para garantir sua hegemonia na web, a empresa sentiu que seria necessário entrar no mercado de sistemas para celulares. Seguindo a estratégia adotada pelo Netscape/Mozila no começo dos anos 90, no final de 2007 foi anunciado pela recém criadaOpen Handset Aliance (uma parceria de empresas dezenas de empresas da área de telecomunicações lideradas pelo Google) o desenvolvimento de um sistema de código aberto, o Android. Com a parceria as fabricantes de celular teriam um sistema barato para competir com a Apple e o Google teria garantida a presença de seus aplicativos nos celulares. Assim, a mesma empresa que construía as bases do que seria o maior esquema de vigilância em massa da história da humanidade popularizava o linux e o software livre de uma maneira sem precedentes.

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Para ser mais preciso, o sistema Android é montado por cima do kernel Linux, possui um grande pedaço livre e partes fechadas – Youtube, Gmail, Google Play etc. Sendo aberto, da mesma forma que as fabricantes puderam adaptá-lo para seus interesses, a comunidade software livre também o fez. O projeto mais conhecido de versão Android com o mínimo de componentes fechada era o Cyanogenmod (que encerrou este mês as operações).

O Securegen, por sua vez, é uma distribuição para celulares desenvolvida pelo GPoPAI, baseada no Cyanogenmod e projetada para garantir a segurança na comunicação e para preservar a privacidade de seus usuários. Para tanto ela vem com um conjunto de aplicações pré-instaladas escolhidas com três critérios principais:

  1. só foram incluídas aplicações livres e sempre que possível com uma comunidade de desenvolvedores ativa,
  2. foram eliminadas aplicações que enviam dados para o servidor cujo uso não esteja estritamente relacionado com as necessidades do usuário e
  3. dentre as aplicações que se comunicam com servidores, foram privilegiadas aquelas cuja comunicação é criptografada e cuja chave fique no aparelho (criptografia ponta a ponta).