Leitores de RSS

Apesar da possibilidade da comunicação de um para muitos que as plataformas de redes sociais proporcionam, a imensa maior parte do conteúdo político que circula no Facebook é produzido por sites jornalísticos – com graus bem variados de profissionalismo. O papel tradicional do editor jornalístico que seleciona, classifica e ordena as matérias, porém, é cada vez menos significativo. O que organiza a prioridade dos conteúdos nesta rede são os tais algoritmos. A ênfase no algoritmo, porém, esconde a agência dos leitores e compartilhadores de notícias. Diferente do modelo do Google News, por exemplo, no Facebook o algoritmo que define o “feed de notícias” é alimentado pelas interações dos próprios usuários buscando oferecer uma experiência personalizada para cada um com o objetivo de mantê-lo pelo maior tempo possível ligado à plataforma. Ou seja, nem autonomia total do leitor, nem controle pleno das máquinas. São algoritmos mediando relações humanas.

Para quem busca se informar, o Facebook oferece uma maior agência sobre o que se lê em relação às mídias tradicionais – com as vantagens e desvantagens que isso trás. Acontece que esta plataforma não foi concebida exatamente para a transmissão de informação pública, mas para manter o contato com amigos e familiares. Seu caráter de esfera pública é, por assim dizer, um efeito colateral que acaba nublando as fronteiras entre público e privado.

Para quem busca autonomia sobre os meios de se informar, o RSS é uma tecnologia a ser dominada. Formalmente, ela é um protocolo bem simples para publicar as novidades em um site. Na prática, leitores de RSS permitem uma experiência controlada pelo usuário sobre o que se lê. O exercício é tentador, sugiro que façam também:

  • capa do El País e do Nexo
  • seção de política do Valor
  • para tecnologia o Motherboard
  • para policial a Ponte
  • seção internacional do Guardian
  • Repórter Brasil e A Pública para matérias de maior fôlego
  • e uma seleção de colunistas que inclui Eliane Brum, Mathias Specktor, Laura Carvalho, Guilherme Boulos e Mônica Bergamo (incluiria alguns colunistas do Estado, do Valor e da Carta Capital se eles disponibilizassem o RSS desagregado)