Email

Quando o primeiro leitor de email foi escrito, a internet não existia propriamente. O que existia era uma única rede chamada ARPANET cujo principal propósito era o compartilhamento de recursos computacionais entre centros de pesquisa. Seu enorme e inesperado sucesso foi o primeiro sinal do potencial da rede como um veículo de comunicação muito mais do que de processamento.

Enfim, o email é uma tecnologia antiga, criada em um tempo aonde a produção de softwares ainda se parecia muito com a produção de hardware: em camadas com interfaces muito bem definidas e documentadas. A separação em camadas permitia que o desenvolvimento de uma não impedisse ou exigisse mudanças nas outras desde que a interface fosse mantida. No caso do software, isso se traduziu na definição de protocolos. O estabelecimento de protocolos bem definidos foi uma das peças chaves para o sucesso da internet (TCP/IP), do email (SMTP) e da própria web (HTTP e HTML). Sua grande vantagem é permitir usos criativos e inesperados das mais diversas aplicações (o email, o skype e a web todos são aplicações por cima do protocolo TCP/IP por exemplo).

Exatamente porque os protocolos permitem uma enorme decentralização, sua evolução é um processo MUITO lento. Uma vez que um protocolo passa a ser usado por uma serie de aplicações diferentes com propósitos diferentes, é quase impossível aplicar grandes mudanças. Por isso, o protocolo de email que usamos hoje é muito parecido com o de 20 anos atrás. Hoje em dia, o desenvolvimento de aplicações exige muito mais dinamismo. Do ponto de vista da segurança, essa lentidão é também um problema. Até hoje a solução usada para criptografia ponta a ponta em emails é o PGP, criado no comecinho dos anos 90.

Em que ponto estamos então? O email surpreendentemente ainda é uma das aplicações mais usadas na internet, porém, é muito pouco provável que no atual estágio surjam tecnologias bem sucedidas tão decentralizadas. Apesar de termos ótimas alternativas de comunicação pós-email (como o Signal), existem bons motivos para continuarmos mantendo uma rede distribuída de comunicação. Por isso respeito profundamente quem, nadando contra a corrente, tem se esforçado para tornar o email mais seguro. Duas dessas iniciativas louváveis são o Mailpile, que promete ser um cliente de email integrado com PGP e relativamente fácil de usar, e o LEAP que pretende melhorar a infraestrutura dos servidores de emails.